WHITE LAND, 2005

Projecto inserido na "Rota das Artes", uma produção da Associação dos Antigos Alunos da Arca-Euac.
Este procurava estabelecer uma relação entre a Arte Contemporânea e o património da Região Centro, as suas tradições e costumes, as suas actividades económicas... O aspecto que me atraiu deste projecto foi a sua itinerância por variados locais. Este facto permitir-me-ia desenvolver um projecto que, partindo de uma estrutura física e rígida (os vasos e as pinturas) poderia evoluir de exposição em exposição: tomando como tema de referência os quintais da região centro, apresentei-me, neste projecto, como um agricultor que meticulosamente semeia a sua horta. Deste modo a obra é constiuida por duas partes: a pintura e os vasos com plantas. Se por um lado a pintura se apresenta estática, são duas telas que, de certa forma, servem de cenário à performance das plantas instaladas nos vasos, as plantas são vivas, naturais, necessitam de luz natural e de água para sobreviver. Para criar uma unidade entre a pintura e as plantas, realizei sobre as telas, hortas com desenhos de variadas plantas, inspiradas em desenhos infantis, de onde se destaca uma espiga de milho e uma abóbora brancas, produtos típicos da região centro.

Estabelecer uma ligação entre a actividade do artista e do agricultor foi o ponto de partida para esta obra: o artista parte de uma tela branca, um suporte onde deixa o seu registo artístico. O agricultor parte da terra para nele semear os produtos que deseja "criar". Neste sentido, a tela e a terra têm uma função similar. O artista e o agricultor uma actividade paralelamente fenomenológica. Assim "White Land" é o espaço de registo de variados fenómenos, artísticos e naturais, complementários. "White Land" é o registo natural da evolução de uma pesquisa que se centra na ideia de que o trabalho artístico tem uma aura própria, que evolui para além das ideias e concepções do próprio artista.
É assim que encontramos uma plantação de couves em Coimbra - mas que não sobreviveu até à segunda exposição. Entre Cantanhede e Figueiró, a obra evoluiu numa direcção não prevista: com o crescimento da segunda plantação (constituida por feijoeiros e tomateiros) foi necessário colocar estacas de forma a suportar o peso das plantas (o que aconteceu em Ansião, no qual coloquei pinceis compridos, e em Figueiró, onde coloquei ramos de pinheiro pindados de branco). Na exposição de Figueiró os feijoeiros pereceram, o que levou a uma segunda interpretação: a de uma terra branca inóspita, onde a vegetação não sobrevive. Mas todo este processo, ao qual variadas razões influênciaram o seu comportamento e interpretação (a falta de luz natural e a rega desregrada das plantas) dotou a obra de uma identidade própria, de uma história, de uma vivência, de vida própria.
Foi assim que o terreno branco em que a obra se inscrevia, possibilitou várias interpretações que foram evoluindo de exposição em exposição.


FICHA TÉCNICA

White Land, 2005-861
2 telas (120x50); tinta de sapato, pastel e esmalte
18 vasos c/ plantas naturais
Dimensões variáveis
(Pinturas: propriedade de Isabel Marin, Madrid)


White Land
Instalação em Coimbra
Janeiro / Fevereiro 2005

White Land
Instalação em Cantanhede
Registo da performance
Abril / Março 2005

White Land
Instalação em Ansião
Registo da performance
Maio / Junho 2005
rota05