Projecto inserido na "Rota das Artes", numa produção da Associação dos Antigos Alunos da Arca-Euac. Procurando estabelecer uma relação entre a Arte Contemporânea e o património da Região Centro, as suas tradições e costumes, as suas actividades económicas..., "White Land of Oportunity" pretende ser uma continuação de "White Land". Mas numa perspectiva completamente diferente: o ponto de partida foi a seguinte questão; que relação será possível estabelecer entre a produção tecnológica do homem e a natural? A primeira resposta encontrada foi o desperdício. As produções humanas são sempre superadas pelo natural. Elas sobrevivêm-lhe. É portanto uma concepção pós-apocaliptica.
E tudo isto mais sentido faz, quando caminhamos para o interior do País, onde tradições milenares têm de conviver / resistir / competir com as novas tecnologias.
Foram estas as premissas para a exposição de Penela, na qual deveria ser montada uma exposição de arte comtemporânea numa sala imersa de computadores com ligação à internet, frequentada habitualmente por jovens.
Neste contexto, a obra deveria estabelecer uma relação muito forte entre o objecto informático e o objecto natural.
Uma das características que me atraíram nas imagens que a minha memória reteve da região centro, para além dos quintais e das hortas, foram as floreiras penduradas fora das janelas ou colocadas junto às portas.
Perseguindo este registo da utilização de técnicas tradicionais de utilização / criação de plantas naturais, criei esta obra pós-nuclear, quase saída de um filme da ficção científica dos anos 60. Uma carcaça de um computador recheada de vazos com cactos. No meio dos cactos, flores brancas de papel - desenhos de roseiras bravas, planta típica da região de Penela. Todo o conjunto (êcran, caixa e teclado) estava acente sobre uma mesa coberta de terra, assim como o espaço do chão correspondente ao tampo da mesa. A terra inscrevia a composição no espaço, dando-lhe continuação, integração. A terra ao mesmo tempo que servia de moldura aos objectos, estabelecia o contrapeso necessário entre o plástico do objecto e o natural das plantas. Os cactos. E porquê cactos e não flores? Porque a flor iria introduzir uma alegria ao contexto da obra que não pretendia: terra branca de oportunidades. O cacto neste contexto, introduz um elemento agreste, árido, que enquanto "planta de resistência" sobrevive à tecnologia. É portanto uma mensagem contemporânea positiva, profundamente social: cheia de oportunidades, a terra da tecnologia pode tornar-se obsoleta.
Ficha Técnica
White Land of Oportunity, 2005-867
Carcaça de computador, cactos, mesa, pelimetros e terra
Dimensões variáveis
ROTA DAS ARTES
Penela, Ansião, Figueiró, Guarda
Abril - Setembro 2005
(Propriedade de Isabel Marin, Madrid)
(Disponível apenas em versão digital)
S/ impressão: 100 €
Impressão em papel ou tela: preço condicionado ao tamanho desejado
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