A evolução da tecnologia, ao nível das telecomunicações, teve como principal preocupação a superação das distancias territoriais, solucionando o problema das relações interpessoais entre indivíduos separados no espaço, abrindo a possibilidade do envio de mensagens sem corpo; tudo a partir de um conceito fundamental: transformar o espaço em tempo.
Mais do que subverter o processo tradicional da criação artística os dadaístas, ao proporem a utilização do telefone para encarregarem outras pessoas da execução material das obras de arte (o realizador da obra passa a ser uma pessoa anónima), abriram passo ao emprego nas artes plásticas de uma tecnologia de comunicação.
Efectivamente, 30 anos depois, Lúcio Fontana reivindicou a televisão como meio artístico no seu Movimiento Spaziale per la Televizione (1952), propondo as possibilidades da rádio e da televisão como fontes de criação artística. Também John Cage , no seu Imagenary Landscape nº 4 , desse mesmo ano, utilizou doze aparelhos de rádio manipulados por dois performers.
César , em 1962, na sua exposição Antagonismes II - l´object (Museu das Artes Decorativas, Paris) utilizou finalmente o televisor encarado como obra de arte.
No ano seguinte, seria a vez de Nam June Paik utilizar o televisor na sua Exposition of Music - Electronic Television (Galeria Parnass, Wuppertal). Ao contrário de César, que descontextualizava o aparelho propondo a sua desfuncionalidade (na esteira dos ready mades de Duchamp), Paik centrava-se no tratamento da imagem, seguindo a tradição vanguardista da investigação no campo propriamente do audiovisual e das telecomunicações.
O tema da telecomunicação vinculada à arte parece expandir-se decisivamente durante os anos setenta, época em que começaram a surgir novas propostas em várias partes do mundo. Em 1972, um dos pioneiros da Computer Art , o brasileiro Waldemar Cordeiro , expressava a sua convicção de que a crise na arte contemporânea reside na inadequação dos meios de comunicação como transportes de informação e a ineficácia da informação como linguagem, pensamento e acção . A arte centrada no objecto material limitaria o acesso do público à obra, por esse motivo, se mantinha debaixo da procura cultural quantitativa e qualitativa da sociedade moderna. (...) A obra que implicitamente define o espaço físico do seu próprio consumo secciona o ambiente e pressupõe uma zona específica para a fruição artística. (...) A sectarização comunicativo / informativo entra em conflito com o carácter interdisciplinar e aberto da cultura planetária. A utilização dos meios electrónicos, que requerem, para a optimização informativa, determinados processamentos da imagem . As ideias de Cordeiro sobre uma conexão global e um amplo livre acesso do público à obra de arte através da telecomunicação antecipam o conceito básico da arte em rede, que conseguiria a diversificação da cultura e o feedback más completo entre obra e público a que aspira o artista.
Em 1977, um grupo de artistas em torno de Willoughby Sharp, Liza Bear, Sharon Grace e Carl Loeffler organizaram Two Way-Demo , uma tele-acção por satélite, através da emissora MCTV, que conectava em directo com diversos artistas situados em pontos distantes: Nova York e S. Francisco. Nesse mesmo ano, Kit Galloway e Sherrie Rabinowitz apresentavam, em colaboração com a NASA, a primeira performance interactiva entre grupos de bailarinos radicados nas costas do Atlântico e do Pacífico nos Estados Unidos, criando um espaço de actuação virtual. Surgia o Electronic Café .
Foram estas experiências pioneiras baseadas na transmissão por satélite que puseram em andamento a incipiente arte da telecomunicação, preparando o futuro desenvolvimento da arte em rede. Terminal Consciousness , organizado por Roy Ascott em 1980, foi o primeiro projecto artístico internacional de teleconferência assistida por computador, que usava a rede "Planet" de Infomedia e conectava Ascott, que estava em Inglaterra, a Keith Arnatt (Gales), Eleanor Antin (Califórnia), Don Burgy (Massachusetts), Douglas Davis (Nova York), Douglas Heubler (Califórnia) e Jim Pomeroy (S. Francisco). Nascia a Arte Telemática. Haviam passado apenas onze anos desde a criação da primeira rede telemática - ARPANET - Advanced Research Projects Agency Network - que unia quatro universidades norte americanas; e faltava exactamente uma década para o nascimento da World Wide Web, que permitiria o acesso a inumeráveis sites à escala mundial.