A fronteira do início de experiências artísticas com computadores e a net-art, cruza-se quando uma série de investigações, mais concretas, se dirigem a aproveitar os as possibilidades da rede. Isto ocorre em 1994, uma década depois de que surgira a Internet como uma rede de conexão entre ARPANET, MILNET e CSNET.
Em 1994, o realizador de cinema independente David Blair, realizou a primeira experiência de cinema interactivo em 3D na Internet: Waxweb, a versão hipermedia do seu filme electrónico Wax or the Discovery of Television among the Bees. Em Waxweb, imagens, sons e textos misturam-se numa história não linear, cujo desenvolvimento depende das contribuições podendo modificar o guião.
Ken Golberg, professor de engenharia e artista, que juntou robótica e arqueologia em The Mercury Project (o primeiro projecto que permitia parcialmente,a qualquer utilizador da Internet, alterar um espaço real à distancia apartir de um robot teledirigido. A iniciativa teve enorme êxito, entre 1994 e 1995, dois milhões e meio de internautas conectaram-se ao quebra cabeças arquelógico, com o objectivo de procurar na areia misteriosos objectos, que lhes permitiria descobrir os mistérios ocultos num clássico de literatura. O utilizador deixa o seu papel de espectador passivo e a interactividade, em maior ou menor grau, converte-se numa das características chave da net-art.
Em 1995 o artista esloveno Vuk Cosic inventa o termo net-art. Neste ano fazem a sua aparição alguns personagens cujos projectos definiram as tendências da net-art nos anos seguintes e começam também a definir-se algumas temáticas que terão uma notável relevância no desenvolvimento da net-art, como a preocupação pelos sistemas electrónicos de controlo dos indivíduos.
Heath Bunting cria Visitor's Guide to London, um guia subjectivo e incompleto que, através de 250 paragens de valor anti-histórico, propõe um tour psicogeográfico por Londres, para estrangeiros não visitantes .
Michael Samyn, artista e designer belga, fundador do colectivo Group Z, apresenta Love, um projecto apresentado no AdaWeb (uma comunidade artística
constituída por músicos, realizadores, arquitectos, coreógrafos, etc, destinada a estabelecer um diálogo entre os artistas e o público (cediada no Walker Art Center, em Minneapolis), que explora as noções de público e privado, oferecendo diferentes pontos de vista acerca do amor, desde o malmequer - bemmequer electrónico (despojamento de folhas virtual de uma flor) até aos encontros amorosos do Marques de Sade. Alem de navegar pelas atractivas imagens da web, o utilizador poderia participar manifestanto segredos e desejos e ler os dos demais visitantes.
Por seu lado Goldberg continua o discurso iniciado com The Mercury Project com Telegarden; uma instalação artística, orgânica e interactiva que fez parte de uma exposição para o Ars Electrónica Center de Linz, Áustria. Entretanto desactivado em 2004, o projecto tratava de um pequeno jardim onde, graças a um braço móvil de um robot jardineiro, os internautas podiam plantar sementes, regá-las e controlar o seu crescimento através de uma câmara de vídeo.
Jenny Holzer, tal como muitos criadores, independentemente do âmbito artístico de que procedem, também quiz experimentar este novo medium. No (uma comunidade artística...), Jenny Holzer apresenta Please Change Beliefs, onde propõe uma lista de conceitos e lugares comuns que o utilizador pode amplificar ou modificar.
Em 1996 o hipertexto confirma-se como um dispositivo capaz de transformar as estruturas narrativas tradicionais e os artistas enfrentam de múltiplas formas as novas possibilidades que se lhe oferecem.
A artista russa Olia Lialina começa a sua trajectória como uma net story teller com My boyfriend came back from the war, onde a partir dos sentimentos e emoções produzidos por uma situação pessoal, estabelece um esquema narrativo interactivo em forma de conversação.
Numa vertente conceptual e minimal, apesar da estética quase barroca, Lialina cria If you want to clean your screen I , destinado a criar-se numa pedra angular da Net-Art, a raiz da sua venda em 1999 ao grupo Entropy8zuper (resultado da união de Zuper de Michael Samyn e Entropy8 de Auriea Harvey). O aspecto participativo da Internet e a sua tendência em diluir o conceito de autoria, reflecte-se em obras nascidas da colaboração entre as novas estrelas nascidas neste meio.
Alexei Shulgin , da rússia, e Vuk Cosic , da Eslovênia, lançam um conjunto de páginas web com projectos artísticos interligados entre si, actualizando-se automaticamente cada 10 segundos, catapultando o utilizador de um lado para o outro do planeta.
A Net-Art converte-se numa tendência cada vez mais definida graças a projectos como CCTV (Close Circuit Television) A World Wide Watch de Heath Bunting , que convida à reflexão sobre o emprego das câmaras de vigilância, permitindo a qualquer utilizador transformar-se em policia durante o tempo que permanece na web.
No espaço incorpóreo da Internet, o corpo converte-se num dos temas mais recorrentes: é representado, reinventado, conectado, alterado e até transformado em espaço navegável. No seu espectacular Bodies INCorporated , Victoria Vesna , professora da Universidade da Califórnia, convida o visitante a construir o seu corpo virtual, elegendo tanto as suas características físicas como temperamentais, com o objectivo de investigar as problemáticas vinculadas nas comunidades on line . O site divide-se em três partes principais: o Limbo , onde se encontram os corpos abandonados; a Necropólis , onde os utilizadores podem escolher como desejariam que os seus corpos morressem e Showplace , onde podem participar em debates e chats em tempo real.
Alexei Shulgin propõe no projecto Remedy for Information Disease , curar o visitante da sobreabundância de estímulos mediáticos, mediante imagens pré-seleccionadas, que se podem manipular. A banalidade destes ícones do nosso tempo evidencia a pobreza visual do bombardeio de imagens a que estamos sujeitos, assim como a interactividade fictícia da página amplifica a sensação da perda de control do indivíduo sobre as tecnologias da imagem.